Escola é sinônimo de aprendizado? Quando o assunto envolve a sexualidade, nem sempre. Já foi pior, é verdade, mas parece que o "tabu" do sexo não consegue acompanhar com a mesma velocidade que a evolução da sociedade. E os professores? Será que eles conseguem ficar frente a frente com alunos cada vez mais envolvidos com informações sexuais vindas de todos os lados? Para a terapeuta sexual Sonia Daud, a maioria não. "Como o professor vai ensinar ao aluno se ele mesmo encontra dificuldades com a sua própria sexualidade?", afirma.
É senso comum que todos devem discutir sexo nas escolas. Mas, às vezes o problema não está com os professores e sim com os próprios pais, que não conseguem ou têm medo de passar a informação aos seus filhos. "Por razões diversas, muitos pais abominam ver a escola falando sobre sexo com seus filhos justamente por ser algo que eles sequer comentam em casa. Infelizmente isso é uma realidade", constata Sonia. "Se não há abertura na escola e muito menos em casa, onde esses jovens vão aprender sobre sexo?", alerta.
Para a psicóloga Ana Márcia Sanches de Almeida Viana, o ensino da sexualidade fica muitas vezes limitado às aulas de biologia. Ela acredita que é preciso ir além. "Nessas aulas fala-se em Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) e o uso da camisinha, mas é apenas a repetição do que está nos livros e nas embalagens dos produtos. Não há espaço para discussões", reconhece.
O resultado desse problema aparece nas estatísticas. Na última década o número de meninas grávidas, entre 11 e 14 anos, dobrou. Além disso, pouco mais da metade dos jovens realmente fazem da camisinha um item obrigatório. "Mais da metade dos infectados com o vírus HIV, no Brasil, têm menos de 24 anos. Isso mostra a necessidade latente de iniciar as discussões sobre sexo o quanto antes, sem pudores, na sala de aula", afirma Ana Márcia.
Sonia Daud concorda. Para ela é possível incrementar todas as disciplinas com o assunto "sexo". "O professor de matemática pode trabalhar com números de estatísticas de gravidez, por exemplo", recomenda.
Com a inclusão da orientação sexual como tema transversal curricular sugerido pelos parâmetros curriculares para se trabalhar nas escolas de ensino fundamental e médio, o Ministério da Educação resgata a importância da escola em tratar assuntos ligados à sexualidade e ao comportamento sexual. O que falta é ensinar aos jovens a selecionar bem as informações e capacitação aos educadores acerca do tema. "É preciso apoio dos pais e da escola para que o ensino funcione corretamente. Assim todos saem ganhando", diz Sonia.
Sexo é tema recorrente nas rodinhas de amigos. Se não bastasse a própria idade, cheia de descobertas por si só, temos muitas informações vindas da TV, da internet, revistas e filmes. "A mídia estimula a sexualidade precoce das crianças, por isso temos o dever de conversar com elas e tirar suas dúvidas à medida que isso estiver aflorando", afirma Ana Márcia. Devemos também evitar o preconceito de toda a espécie, banindo do vocabulário dos professores qualquer menção de que sexo é sujo ou pecaminoso. "Uma resposta mal dada pode fazer o jovem se sentir envergonhado e desistir de buscar informação correta", diz.
O governo mostrou em uma ação recente que precisamos evoluir muito ainda nesse assunto. Um projeto quer implantar máquinas que distribuem camisinhas nas escolas ainda em 2008. A iniciativa faz parte do programa Saúde e Prevenção nas Escolas, do Ministério da Saúde, e já criou polêmica entre pais, escolas e educadores. Sonia Daud e Ana Márcia acreditam que a iniciativa é correta, mas fazem uma ressalva. "Distribuir camisinhas abre a sociedade para o assunto, mas esse ato deve ser amparado por um projeto pedagógico adequado", dizem.
Pós-graduação
Em São José do Rio Preto o tema poderá ser melhor estudado e facilitar a vida de quem precisa falar sobre sexo. Especialistas desta área criaram um curso de especialização que responde às necessidades de vários públicos, como professores, médicos, psicólogos e até mesmo jornalistas que escrevem sobre sexualidade.
Com as inscrições abertas, o curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Sexualidade: Terapia Sexual e Orientação tem o objetivo de formar profissionais com instrumental teórico e técnico para o atendimento terapêutico, estudo e pesquisa com foco na sexualidade.
Voltado a todos os que possuem diploma universitário e lidam com o assunto, o curso tem duração de quatro semestres, com aulas aos sábados, e carga horária de 400 horas. Os docentes são doutores, mestres e especialistas em sexualidade humana. "Esse segmento de estudo é um dos mais crescentes e necessita de profissionais com embasamento correto do assunto", afirma Sonia Daud, uma das coordenadoras do curso. A previsão é de que as aulas comecem já no segundo semestre, sendo ministradas na Famerp.
Serviço:
Inscrições: FAEPE, Fundação de Apoio ao Ensino, à Pesquisa e à Extensão de Serviços à Comunidade da Famerp.
Informações pelos telefones: (17) 3201 5808 e 3201 5888.
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